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Candomblé -> O Axé |
Energia mágica, universal sagrada
do orixá. Energia muito forte, mas que por si só é neutra. Manipulada e dirigida
pelo homem através dos orixás e seus elementos símbolos. O elemento mais
precioso do Ilê, é a força que assegura a existência dinâmica. É transmitido,
deve ser mantido e desenvolvido, como toda força pode aumentar ou diminuir, essa
variação está relacionada com a atividade e conduta ritual. A conduta está
determinada pela escrupulosa observação dos deveres e obrigações, de cada
detentor de axé, para consigo, ser orixá e para com seu ilê. O desenvolvimento
do axé individual e do grupo, impulsionam o axé de ilê.
O axé dos iniciados está ligado, e
diretamente proporcional a sua conduta ritual - relacionamento com seu orixá;
sua comunidade; suas obrigações e seu babalorixá. A força do axé é contida e
transmitida através de certos elementos e substâncias materiais, é transmitido
aos seres e objetos, que mantém e renovam os poderes de realização. O axé está
contido numa grande variedade de elementos representativos dos reinos: animal,
vegetal e mineral, quer sejam da água - doce ou salgada - da terra, floresta -
mato ou espaço urbano. Está contido nas substâncias naturais e essenciais de
cada um dos seres animados ou não, simples ou complexos, que compõem o universo.
O "sangue" vermelho:
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animal: o sangue.
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vegetal: o epô (óleo de dendê),
osùn (pó vermelho), aiyn (mel - sangue das flores), favas (sementes),
vegetais, legumes, grãos, frutos (obi, orobô), raízes...
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mineral: cobre, bronze, otás
(pedras), areia, barro, terra...
O "sangue" branco:
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animal: sêmem, saliva, emí
(hálito, sopro divino), plasma (em especial do igbin - espécie de caracol -),
inan (velas).
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vegetal: favas (sementes),
seiva, sumo, alcool, bebidas brancas extraídas das palmeiras, yiérosùn (pó
claro, extraído do iròsún) ori (espécie de manteiga vegetal), vegetal,
legumes, grãos, frutos, raízes...
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mineral: sais, giz, prata,
chumbo, otás (pedras), areia, barro, terra...
O "sangue" preto:
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animal: cinzas de animais.
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vegetal: sumo escuro de certas
plantas, o ilú (extraído do índigo) waji (pó azul), carvão vegetal, favas
(sementes), vegetais, legumes, grãos, frutos, raízes...
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mineral: carvão, ferro, osun,
otás (pedras), areia, barro, terra...
Existem lugares, sons, objetos e
partes do corpo (dos animais em especial) impregnados de axé; o coração, fígado,
pulmões, moela, rim, pés, mãos, rabo, ossos, dente, marfim, órgãos genitais; as
raízes, folhas, água de rio, mar, chuva, lago, poço, cachoeira, orô (reza), adjá
(espécie de sineta), ilús (atabaques)...
Toda oferenda e ato ritualístico
implica na transmissão e revitalização do asé. Para que seja verdadeiramente
ativo, deve provir da combinação daqueles elementos que permitam uma realização
determinada. Receber asé, significa, incorporar os elementos simbólicos que
representam os princípios vitais e essenciais de tudo o que existe. Trata-se de
incorporar o aiyé e o orún , o nosso mundo e o além, no sentido de outro plano.
O asé de um ilê é um poder de realização transmitido através de uma combinação
que contém representações materiais e simbólicas do "branco", "vermelho" e
"preto", do aiyé e orún. O asé é uma energia que se recebe, compartilha e
distribui, através da prática ritual. É durante a iniciação que o asé do ilê e
dos orixás é "plantado" e transmitido aos iniciados.
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