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O Tarot é um baralho
composto de 78 lâminas (ou cartas), dividido em 2 grupos principais: os Arcanos
Maiores, composto por um grupo de 22 lâminas (numeradas de 0 a 21 ou de 1 a 22)
e os Arcanos Menores, composto por um grupo de 56 lâminas, distribuídas em 4
naipes (Copas, Paus, Espadas e Ouros - como no baralho tradicional), cada um com
14 lâminas, dispostas de As a 10, inclusas em cada grupo as figuras do Rei,
Rainha, Cavaleiro ou Valete. As lâminas são ilustradas com o
simbolismo universal, relacionadas às imagens arquetípicas que compõem os mitos
e lendas, artisticamente representadas através do conjunto de formas, cores, figuras humanas, animais e vegetais, objetos e números,
totalizando em códigos especiais de acesso à Alma humana.
O Tarot
reflete o homem e seu estado e esses o seu meio. Não que suas lâminas espelhem o
processo em si, mas evocam o estágio em que o homem se encontra. Temos em mente
aí, que sua linguagem é universal, mas no momento de ser consultado, sinalizará
o processo anímico individualmente, independente das combinações que se
repetirem e dos significados estabelecidos dentro do núcleo das imagens
arquetípicas. Servindo como instrumento advinhatório, ele servirá apenas para
vislumbrar o futuro, conectando-se aos eventos presentes e passados. Como
instrumento divinatório, estabelece a relação do homem com sua alma e essa, com
Deus. Embora, no dicionário os adjetivos "advinhatório" e "divinatório" sejam
sinônimos, estabelece-se aí a seguinte reflexão: nem todos que advinham,
divinizam e nem todos que divinizam, advinham. No meu entender, adivinhar
significa decifrar de forma até mesmo leviana, algo que está oculto; já
divinizar, estabeleceria a idéia de conectar com sua alma, com o universo, com o
Criador. Um Tarot advinhatório, parece refletir na mente das pessoas, um mero
jogo de salão para brincar de descobrir o futuro. Já o Tarot divinatório, teria
assim relação com uma ponte entre o homem e Deus. Nesse processo, temos o
chamado auto-conhecimento.
O Tarot é um
legado dos tempos para os tempos. Muitos pesquisadores vieram e já foram e
outros virão, dando suas contribuições a esse interessante e misterioso estudo.
A concepção purista de um Tarot que tenha nascido nos braços do esoterismo, é no
mínimo, pretensiosa, pois o Tarot não pertence necessariamente a nenhuma linha
de pensamento ou sistema estabelecido. O Tarot, enquanto veículo livre de
co-relações, é um alfabeto simbólico para orientar o homem em sua jornada. Pode
ter nascido na arte de um povo, comparativamente às runas, que era o alfabeto
dos vikings e também seu oráculo, mas também no berço de uma civilização perdida
e mesmo, na cultura e nos ritos de alguma sociedade. Muito do contexto esotérico
e espiritualista, que sobreveio principalmente a partir do século XVII, deu
margem à maior parte da literatura que temos sobre o Tarot, que devemos
considerar um legado dos pesquisadores e não considerar como uma regra para
estudos ou pesquisas. Cada livro que fala sobre o Tarot, seria, por assim dizer,
um tratado, uma abordagem do baralho através da ótica de seus pesquisadores,
trazendo importantes toques e insights para o estudante do assunto. Mas, definir
a regra de que o Tarot é só um oráculo, implicará em leviandade, preconceito e
até mesmo num embotamento para vislumbrar outros caminhos que o Tarot oferece.
Estudar o Tarot é observar, com a mente aberta e o discernimento dirigido, todas
as associações e maneiras de como pode ser utilizado, livre de determinismos ou
concepções afirmativas. Vale lembrar que o Tarot é uma experiência pessoal, cada
um pode criar suas próprias regras ou convenções, apenas para efeito de
pesquisas e consultas de cunho pessoal.
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